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Sinopse
“Aparelhei o barco da ilusão
e reforcei a fé de marinheiro
Era longe o meu sonho
e traiçoeiro
o Mar”
Miguel Torga, Câmara Ardente
Miguel Torga descrevia em poucas palavras o
“sem sentido” desta viagem. Retalhos de sonhos entre a serra e o
mar que ditos desta forma simples, tudo parece tão perto! Só
depois é que percebemos que essa distância física é
profundamente marcante, criando um espaço vazio onde restam
barreiras quase intransponíveis, que nos permite imaginar dentro
dos limites dos sonhos um mundo de fantasia que nos faz viajar
no tempo, onde os animais também falam, as águas reclamam
justiça, sonhos vividos por outros, quadros vivos em tela de
palco pintados com cor de gente. Até o amor espreita nas
frinchas do sol e com cidades tão reais que nesta viagem nos
deixam na dúvida.
Será que somos donos dos nossos sonhos?
Que só sonhamos com o que queremos e sentimos?
Com frases. O que está do lado de lá?
São sonhos presos às memórias que não te deixam sonhar.
Com perguntas. Até onde acaba a ilusão e começa a realidade?
Que raio de vida é esta, sempre nas mãos do tempo?
Todos estes elementos aparecem de sonhos vivos dos alunos que
durante vários meses criaram um mapa de desejos, palmilhando o
caminho dos sentidos sobre as coordenadas dos sons, entre passos
de dança e palavras surdas.
Palavras surdas?! Não faz sentido!
Eduardo Correia
Director Artístico do Teatro Montemuro
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