On Tour: “Presos por uma corrente de ar”

Sinopse
São estas figuras que de repente se vêm a braços com a implantação artística de uma escultura previamente concebida por um dos arquitectos mais consagrados da nossa praça. Quem é que já não viu obras dele? Todos, claro! Por isso o silêncio. Quem é que não conhece a sua obra, erudita e abstracta, que só os grandes criadores conseguem descodificar e ver nela as mais variadas referências? Como sabem, esse número de pessoas nos dias de hoje existem em grande escala, não é? Senão vejamos: passamos por uma rotunda e vemos uma dessas obras emblemáticas e não vemos nela absolutamente nada, mas se tivermos a sorte de estar presente alguém desse grande número, como referi, ilustra-nos a obra e a partir desse momento já vemos tudo, para não sermos considerados ignorantes.
Foi-lhes então dada uma planta da escultura a construir muito clara, que só o simples gesto de a abrir se torna impiedoso. Logo que é aberta, aumenta a confusão. “Que raio vem a ser isto”, perguntam no seu português. Rapidamente obtêm respostas conclusivas dos curiosos que vão formando atrevidas opiniões sobre o que é e o processo de construção. Inicia-se a obra lentamente, desvirtuando o plano, ignorando as supostas ajudas, criando a obra deles. As conversas seguem ao ritmo da construção, sendo sistematicamente compreendidas de forma diferente, mas avançam… À medida que o projecto artístico cresce, vão-se estabelecendo laços entre os trabalhadores que revelam suas histórias, destapando a cara, expondo-se ao mundo tal como são.
Quando tudo fazia prever o fracasso, ouve-se música ao longe. São os artistas da rua com os seus instrumentos imponentes, que vêm de mais um concerto na esquina do café central. Espectáculo vendido por um preço elevadíssimo, só possível pagar a pessoas de altos recursos financeiros que desembolsam pequenas moedas castanhas talvez para não os ouvir. São esses músicos que disponibilizam o pouco tempo que têm até ao próximo concerto para os ajudar na construção e até gastar o cachet que conseguiram com a actuação anterior. Agora sim, a coisa vai! Nada melhor que música para se comunicarem, sendo a música uma linguagem universal. Tudo parece encaminhar-se para o fim. Aquilo que era abstracto, passa com a criatividade desta gente a ser um monumento reconhecido por todos. A música improvisada dos instrumentos artesanais prepara a despedida. Estas pessoas assumem que este momento foi episódico e que as suas vidas dificilmente se voltarão a cruzar. Esta despedida é um adeus , não até, mas para sempre.

 
 

Ficha Artística

 
Dramaturgia: José Carlos Garcia
Encenação: José Carlos Garcia
Cenografia: Kevin Plumb
Direcção Musical: António Pedro
Interpretes: 4 actores + 3 músicos

Teatro ao ar livre/ de rua
Estreia: 10 de Junho de 2009
Em cena: até 9 de Agosto de 2009